Psicologia Positiva: muito além do pensamento positivo
Entenda como a Psicologia Positiva vai além do pensamento positivo, seus fundamentos científicos, o modelo PERMA e suas aplicações na saúde mental e no ambiente profissional.
A Psicologia Positiva tem ampliado as discussões sobre saúde mental e desenvolvimento humano ao investigar os fatores que contribuem para o bem-estar, a resiliência e a qualidade de vida. Diferentemente do que muitos imaginam, essa abordagem não consiste em pensar positivo o tempo inteiro ou ignorar as dificuldades.
Durante a Jornada de Psicologia, Neurociência e Saúde Mental, promovida pela Faculdade EBPÓS, o professor doutor Leonardo Moraes abordou a Psicologia Positiva como um campo científico que busca compreender as potencialidades humanas e suas aplicações na vida pessoal e profissional.
Psicologia Positiva é ciência, não autoajuda
Consolidada como movimento científico a partir de 1998, especialmente com os estudos do psicólogo Martin Seligman, a Psicologia Positiva ampliou o campo de investigação da Psicologia. Além de compreender transtornos e sofrimento psicológico, pesquisadores passaram a investigar aspectos como gratidão, esperança, resiliência, relacionamentos e realização pessoal.
Isso não significa desconsiderar as emoções negativas. Medo, tristeza e frustração fazem parte da experiência humana e desempenham funções importantes. A abordagem também se diferencia da chamada positividade tóxica, caracterizada pela pressão para demonstrar felicidade constante, mesmo diante de situações difíceis.
O objetivo não é eliminar as dificuldades, mas desenvolver recursos para enfrentá-las de maneira mais consciente e saudável.
O modelo PERMA e os cinco pilares do bem-estar
Um dos principais fundamentos apresentados durante a palestra foi o modelo PERMA, desenvolvido por Martin Seligman.
A metodologia organiza cinco dimensões relacionadas ao bem-estar:
- Emoções positivas: experiências como alegria, gratidão e esperança.
- Engajamento: envolvimento significativo nas atividades realizadas.
- Relacionamentos positivos: construção de vínculos baseados em confiança, empatia e apoio.
- Significado: percepção de propósito e sentido nas experiências pessoais e profissionais.
- Realização: desenvolvimento de competências e conquista de objetivos.
Essas dimensões demonstram que o bem-estar não depende exclusivamente de sentimentos agradáveis, mas também das relações construídas, do significado atribuído às atividades e da percepção de desenvolvimento.
Como a Psicologia Positiva pode contribuir para o ambiente profissional?
No contexto organizacional, os conhecimentos da Psicologia Positiva podem apoiar iniciativas relacionadas ao desenvolvimento humano, à qualidade dos relacionamentos e ao bem-estar no trabalho.Durante a palestra, Leonardo Moraes destacou experiências envolvendo programas corporativos de felicidade e bem-estar, além da importância de cultivar relações profissionais mais saudáveis.
A discussão também se conecta à crescente atenção dedicada à saúde mental e aos riscos psicossociais nas organizações. Entretanto, promover bem-estar exige mais do que ações pontuais de motivação. É necessário compreender as condições de trabalho, reconhecer dificuldades e desenvolver estratégias fundamentadas.
Da ciência à prática: compreender para transformar
A Psicologia Positiva demonstra que o bem-estar pode ser investigado cientificamente e que seus conhecimentos encontram aplicações em diferentes contextos. Para profissionais que atuam com saúde mental, desenvolvimento humano e gestão de pessoas, compreender esses fundamentos amplia as possibilidades de análise e intervenção.
Ao promover discussões como essa, a Faculdade EBPÓS reforça a importância da atualização profissional e da conexão entre conhecimento científico e realidade do mercado. Mais do que buscar uma felicidade permanente, a Psicologia Positiva convida à compreensão das emoções, dos relacionamentos e das capacidades que contribuem para uma vida com mais significado.